Professor Jorge

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Professor de geografia e sociologia da rede particular e estadual de ensino e apaixonado por festa de peão.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A exploração mineral no Brasil

A exploração mineral no Brasil
Nas últimas décadas o Brasil passou por várias fases exploratórias distintas. Todas ditadas pelo mercado mundial e pelas suas expectativas. A evolução foi drástica. Mudaram as commodities , a metodologia, a tecnologia, os enfoques, a estratégia e a eficiência. Independente dessa imensa evolução ainda é necessário o mais importante: o ser humano que irá digerir e transformar todos estes parâmetros em uma descoberta: o exploracionista.
Carajás e o seu impacto na exploração mineral brasileira
No nosso país, o grande divisor de águas na exploração mineral foi, sem sombra de dúvidas, a descoberta da Província Mineral de Carajás.
Até então os principais levantamentos brasileiros constituíam-se em projetos de mapeamento geológico direcionados a embasar os trabalhos exploratórios subsequentes. A busca de petróleo na Amazônia, a descoberta de manganês na Serra do Navio, do estanho de Rondônia e da bauxita do Trombetas são os fatores determinantes que pavimentaram a descoberta maior que só ocorreu 1967.
Foi lá, em Carajás, que a história mudou.
Nesta época, década de 60, as multinacionais americanas, como a Union Carbide e a US Steel, haviam invadido a Amazônia em busca de manganês. Foi um caso clássico de serendipity que até hoje é discutido nas fogueiras dos acampamentos.
A US Steel, comandada pelo excepcional Gene Tolbert, chegou primeiro ao topo da Serra e a descoberta da maior jazida de ferro de alto teor do planeta foi feita.
Poucos anos depois, por intermédio de uma empresa, fruto direto de Carajás, a Terraservice, o Brasil ingressou na fase exploratória tecnológica e que, pela primeira vez, vimos a aplicação de métodos exploratórios regionais que combinavam a geologia, a geoquímica de sedimentos de corrente e a geofísica aérea. Por incrível que pareça as primeiras anomalias significativas de cobre e ouro em Carajás, efetuadas por essa metodologia exploratória, são as mesmas que geraram os depósitos de ouro e cobre do Igarapé Bahia, Salobo, Alemão e Sossego (estes três últimos ainda não entraram em produção).
Era o acerto da equação mais importante na exploração mineral: o homem certo no lugar certo usando o método certo.
A Terraservice, que alguns anos mais tarde se transformaria em Docegeo, foi a primeira grande empresa de exploração mineral do Brasil e, provavelmente, uma das maiores e melhores do mundo naquela época.
A empresa, criada pelo mesmo Gene Tolbert de Carajás, para ser o braço exploratório da CVRD nasceu gigante, ambiciosa e vencedora. O próprio Tolbert pessoalmente entrevistou e contratou a maioria de um dos mais seletos grupos de consultores e de geólogos de exploração que o Brasil viu. A idéia era, simplesmente ambiciosa, atacar a Amazônia, o Centro-Oeste, o Centro e o Nordeste.
Tudo ao mesmo tempo.
Para realizar tal feito foram contratados, a peso de ouro, os consultores Australianos, Peruanos e Americanos cujo principal papel seria o de implantar o maior e mais avançado programa exploratório que o país havia visto, transferindo o know-how para a equipe brasileira que seria, em 3 anos, a base da Docegeo.
Em pouquíssimos anos o País se transformou e a década de 70 viu a melhor fase da exploração mineral brasileira. Assim como no Canadá de hoje, a exploração mineral simplesmente entrou em ebulição.
De um lado o Governo, por meio do DNPM, da CPRM, Radam e da Petrobras e do outro a Docegeo, as grandes multinacionais como a Shell, INCO, De Beers, Anglo American e outras dezenas de empresas mineradoras se digladiavam em busca de novas anomalias e novas descobertas em todo o território nacional. O geólogo de exploração era uma commodity rara e muito bem paga.
Foi quando o Brasil teve o seu território coberto por imagens de Radar e por mapeamentos geológicos regionais enquanto o Governo criava projetos pioneiros de geoquímica-geofísica e geologia em cooperação com o países como o Canadá. Tempos áureos.
Os booms exploratórios
Era a fase dos metais básicos. O mundo precisava de cobre, chumbo, zinco e níquel para alimentar as suas indústrias.
Até então já havíamos visto booms similares mas que nunca haviam atingido de forma tão marcante o Brasil.
O interessante é que a exploração mineral, na época, era feita somente pelas major companies. No após guerra a exploração consistia de levantamentos geológicos seguidos de detalhamentos e sondagens. Era um processo voltado para a descoberta dos grandes depósitos aflorantes. A medida que o mercado mundial se tornava mais voraz e exigente e que os corpos aflorantes escassearam, a exploração mineral começou a se sofisticar. Afinal já não haviam tantos grandes depósitos a espera do martelo do geólogo para serem descobertos. Foi quando iniciaram-se os programas de base os grass roots. Estes programas contavam com a geoquímica de sedimentos de corrente e com a geofísica aérea como ferramentas para melhor discriminar e detectar as anomalias tão fundamentais.
Na época as grandes exploradoras eram empresas como a Kennecott, a Anaconda e a Western Mining. A Kennecott havia basicamente desenvolvido métodos geoquímicos exploratórios voltados para a descoberta de porphyry coppers nos EUA, Canada e na Nova Guiné. Por outro lado novas descobertas estavam sendo realizadas no Canadá, a partir da geofísica aérea.
Os principais booms exploratórios podem ser sintetizados conforme abaixo:
· De 1950-60 a busca do urânio.
· De 1960-77 busca por metais básicos.
· De 1977-hoje a busca pelo ouro.
· De 1990-hoje a busca pelos diamantes.
· De 2003...retomada da exploração mineral para cobre, níquel, ouro, diamantes, zinco, ferro, alumínio, manganês